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sábado, 19 de outubro de 2013

Os Dons Ministeriais

Os Dons Ministeriais

TEXTO ÁUREO
"E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas" (1 Co 12.28). - Paulo apresenta aqui uma lista parcial dos dons de ministério (Rm 12.6-8 e Ef 4.11-13). Paulo alista os dons da graça (gr. charismata), como são chamados. Um dom espiritual pode constituir-se de uma disposição interior, bem como de uma capacitação ou aptidão (Fp 2.13) concedida pelo Espírito Santo ao indivíduo, na congregação, para edificação do povo de Deus e para expressar o seu amor a outras pessoas (1Co 12.1; 14.12,26; 1 Pe 4.10). A lista que Paulo dá, aqui, dos dons da graça divina deve ser considerada um exemplário e não a totalidade deles (1 Co 12-). Dom de Profecia (12.10): É preciso distinguir a profecia aqui mencionada, como manifestação momentânea do Espírito da profecia como dom ministerial na igreja, mencionado em Ef 4.11. Como dom de ministério, a profecia é concedida a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como manifestação do Espírito, a profecia está potencialmente disponível a todo cristão cheio dEle (At 2.16-18). Quanto à profecia, como manifestação do Espírito, observe o seguinte: (a) Trata-se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (14.24,25, 29-31). Aqui, não se trata da entrega de sermão previamente preparado. (b) Tanto no AT, como no NT, profetizar não é primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus e exortar e levar o seu povo à retidão, à fidelidade e à paciência (14.3). (c) A mensagem profética pode desmascarar a condição do coração de uma pessoa (14.25), ou prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (14.3, 25,26, 31). (d) A igreja não deve ter como infalível toda profecia deste tipo, porque muitos falsos profetas estarão na igreja (1Jo 4.1). Daí, toda profecia deve ser julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (14.29, 32; 1Ts 5.20,21). Ela deverá enquadrar-se na Palavra de Deus (1Jo 4.1), contribuir para a santidade de vida dos ouvintes e ser transmitida por alguém que de fato vive submisso e obediente a Cristo (12.3). (e) O dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de Deus e não a do homem. Não há no NT um só texto mostrando que a igreja de então buscava revelação ou orientação através dos profetas. A mensagem profética ocorria na igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso (12.11).(Bíblia de Estudo Pentecostal, nota ao texto de Rm 12.6, 1Co 12.28 e Estudo DONS ESPIRITUAIS PARA O CRENTE).

VERDADE PRÁTICA
Os dons espirituais e ministeriais são distintos, no entanto, ambos provêm de Deus e são indispensáveis à Igreja de Cristo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Efésios 4.11-14; 1 Coríntios 14.3

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Estabelecer a diferença entre os dons ministeriais de apóstolos, evangelistas, pastores e doutores;
- Explicar as semelhanças e diferenças entre o profeta do Novo e do Antigo Testamentos, e
- Definir o dom de profecia.

PALAVRA-CHAVE
DOM: - [do latim domus], dádiva, presente de Deus.

    COMENTÁRIO

(I. INTRODUÇÃO)

É importante que compreendamos e saibamos estabelecer as diferenças entre dons espirituais e ministeriais. Embora haja variedade de dons espirituais, todos vêm do Espírito Santo e devem ser usados para a edificação do corpo de Cristo. Os dons não podem, em hipótese alguma, ser utilizados para manipular as pessoas ou trazer divisão à igreja. Precisamos usá-los com sabedoria, amor e para a glória de Deus. No AT podemos ver Deus falando com o seu povo através dos profetas. E Ele continua a falar e a revelar a sua vontade mediante a profecia. Vivemos tempos trabalhosos e muitos já não creem na ação e na existência dos autênticos profetas. Todavia, a Igreja do Senhor não pode desprezar as profecias (1 Ts 5.19-21), pois este dom foi concedido para a edificação, exortação e consolo da Igreja. O povo de Deus precisa ter discernimento para reconhecer os verdadeiros profetas. Esse discernimento é fruto do conhecimento bíblico e, dificilmente uma igreja, ou um cristão, que prioriza o estudo das Sagradas Escrituras será enganado ou confundido. Tais manifestações devem passar pelo crivo das Escrituras Sagradas para que cumpram a sua finalidade: exortar, edificar e consolar (1 Co 14.3). Vamos considerar os dois tipos de dons de profecia: aquele que pode ser concedido pelo Espírito a qualquer crente (1 Co 12.10), e o outro destinado a crentes com chamada específica para esse ministério (1 Co 12.28). Boa aula!

(II. DESENVOLVIMENTO)

I. OS DONS MINISTERIAIS

1. Distinção entre o colégio apostólico e o dom ministerial de apóstolo. Os apóstolos do NT foram os mensageiros originais, testemunhas e representantes autorizados do Senhor crucificado e ressurreto (v. 20). Foram as pedras fundamentais da igreja, e sua mensagem encontra-se nos escritos do NT, como o testemunho original e fundamental do evangelho de Cristo, válido para todas as épocas. (2) Todos os crentes e igrejas locais dependem das palavras, da mensagem e da fé dos primeiros apóstolos, conforme estão registradas historicamente em Atos e nos seus escritos. A autoridade deles é conservada no NT. As gerações posteriores da igreja têm o dever de obedecer à revelação apostólica e dar testemunho da sua verdade. O evangelho concedido aos apóstolos do NT, mediante o Espírito Santo, é a fonte permanente de vida, verdade e orientação à igreja. (3) Todos os crentes e igrejas serão verdadeiros somente à medida em que fizerem o seguinte: (a) Aceitar o ensino e revelação originais dos apóstolos a respeito do evangelho, conforme o NT registra, e procurar manter-se fiéis a eles (At 2.42). Rejeitar os ensinos dos apóstolos é rejeitar o próprio Senhor (Jo 16.13-15; 1 Co 14.36-38; Gl 1.9-11). (b) Continuar a missão e ministério apostólicos, comunicando continuamente sua mensagem ao mundo e à igreja, através da proclamação e ensino fiéis, no poder do Espírito (At 1.8; 2 Tm 1.8-14; Tt 1.7-9). (c) Não somente crer na mensagem apostólica, mas também defendê-la e guardá-la contra todas as distorções ou alterações. A revelação dos apóstolos, conforme temos no NT, nunca poderá ser substituída ou anulada por revelação, testemunho ou profecia posterior (At 20.27-31; 1 Tm 6.20). Quanto aos apóstolos dados à igreja, por intermédio do dom ministerial e cuja função é de "embaixador" (cf. 2 Co 8.23) e "enviado" (cf. Fp 2.25), alguém enviado com plenos poderes de procurador para agir em lugar de outra pessoa, deixando para trás o remetente, que fica para dar respaldo ao que foi enviado, na Igreja, significa que Deus os envia para fazer o que ele próprio faria. O termo é encontrado como ‘apóstolo’ 78, ‘embaixador’ 2 vezes (2Co 8.23; Fp 2.25), e ‘enviado’ uma vez (Jo 13.16).

2. Uma consideração acerca dos dons ministeriais.

a) Apóstolos. Na tradição cristã, os apóstolos, também chamados de discípulos de Jesus, foram os judeus enviados(como indicado pela palavra grega πόστολος, apóstolos) por Jesus para pregar o Evangelho, inicialmente apenas aos judeus e depois também aos gentios, em todo o mundo antigo. Eram em total doze pessoas. Segundo o Evangelho de Lucas, "Ele chamou para si os seus discípulos, e deles escolheu doze, a quem ele chamou de apóstolos" (Lucas 6:13). Essa escolha aconteceu no início do seu ministério, Jesus escolheu doze homens que o acompanhassem em suas viagens. Tiveram esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido. Por conseguinte, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade. "Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolo" (Lc 6.12-13). A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado judaico e conhecida, em realidade, como "Galileia dos gentios". O próprio Jesus disse:"Tu, Carfanaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno" (Mt 11.23). Não obstante, Jesus fez desses doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capazes de transmitir com clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhorio de Jesus. Nenhum dos escritores dos Evangelhos deixou-nos traços físicos dos doze. Dão-nos, contudo, minúsculas pistas que nos ajudam a fazer "conjecturas razoáveis" sobre como pareciam e atuavam. Um fato importante que tem sido tradicionalmente menosprezado em incontáveis representações artísticas dos apóstolos é sua juventude. Se levarmos em conta que a maioria chegou a viver até ao terceiro e quarto quartéis do século e que João adentrou o segundo século, então eles devem ter sido não mais do que jovens quando aceitaram o chamado de Cristo.

b) Evangelistas. Esse dom é concedido visando o crescimento numérico da igreja. Um evangelista é aquele que tem o dom de evangelizar. Algumas versões até traduzem a palavra por ‘missionários’. É alguém que tem o dom de levar as boas novas a quem ainda não as conhece; é aquele que reúne as ovelhas. Um exemplo bíblico desse caso é Filipe, que tinha, além do dom do diaconato, (At. 6.5), o de evangelizar (At 8.26-39). Filipe é chamado de ‘o evangelista’ (At. 21.8). Paulo certamente possuía esse dom em medida maior, como pode se depreender do trabalho evangelístico e missionário que fez. Ele, que foi um preparador de pastores, exortou Timóteo a fazer, além do trabalho pastoral, o trabalho de um evangelista (2Tm 4.5). Uma ênfase tem sido dada no sentido de que, os pastores, também façam a obra de um evangelista, quer seja por dom, quer por necessidade ou ainda para cumprir o ‘ide... e pregai’ de Jesus. Só assim teremos, além de igrejas bem doutrinadas, igrejas maiores e mais fortes numericamente falando.

c) Pastores e doutores. Se o dom de evangelista é o de reunir ovelhas, o dom do pastorado é o de aperfeiçoar as tais ovelhas. O pastor é aquele que fica com o rebanho, que convive com as ovelhas e, portanto, cabe a ele aperfeiçoar esses crentes para a obra do ministério. Tornar os crentes idôneos, capazes e bem equipados para o serviço é tarefa do pastor; esse trabalho muitas vezes é feito individualmente, no sentido de que cada um desenvolva o seu próprio dom. Paulo se esforçou para ensinar individualmente a Timóteo e torná-lo equipado para o ministério, e ordenou que Timóteo fizesse o mesmo com outros homens fiéis, para também equipá-los (2Tm 2.2). Se os crentes não forem capacitados e treinados, eles serão infrutíferos. Jesus aperfeiçoou os seus discípulos dando-lhes aulas teóricas e praticas por mais ou menos três anos. É um trabalho difícil e leva tempo, mas é de grande recompensa. Jesus iniciou seu ministério sozinho; mais tarde ele já pôde enviar os doze e depois mais setenta; assim os trabalhadores do reino foram aumentando e o Evangelho do reino foi se espalhando por toda a terra. Paulo, na qualidade de pastor, disse com respeito à igreja dos colossenses: ‘a quem anunciamos, admoestando a todo homem, ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos a todo o homem perfeito em Jesus Cristo’ (Cl 1.28). Com respeito aos crentes da Galácia, Paulo disse: ‘meus filhinhos, por quem de novo sofro dores de parto, até que Cristo seja formado em vós’ (Gl 4.19). Por isso se vê que é um trabalho difícil o de aperfeiçoar uma igreja e torná-la equipada para o ministério. Contudo, o pastor foi aperfeiçoado para aperfeiçoar; ele foi equipado para equipar.

3. Objetivo dos dons ministeriais (Ef 4.12-14). No dizer de Paulo, as pessoas espiritualmente ‘perfeitas’ ou maduras, que possuem a plenitude de Cristo:
(1) ser espiritualmente maduro, significa não ser ‘meninos’ (v. 14), os quais são instáveis, facilmente enganados pelas falsas doutrinas dos homens e suscetíveis ao artificialismo enganoso. O crente permanece infantil quando tem uma compreensão inadequada das verdades bíblicas e pouca dedicação a elas (vv. 14,15);
(2) ser espiritualmente maduro inclui falar ‘a verdade em amor’ (v. 15). A verdade do evangelho, conforme apresentada no NT, deve ser crida com amor, apresentada com amor e defendida em espírito de amor. Esse amor é dirigido primeiramente a Cristo (v. 15); em seguida, à igreja (v. 16) e, finalmente, de uns para com os outros (v. 32; 1 Co 16.14). Em Efésios 4, Paulo ensina que a ‘unidade do Espírito’ (v. 3) e a ‘unidade da fé’ (v. 13) são mantidas e aperfeiçoadas por:
(1) aceitar somente a fé e a mensagem dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores
e mestres do NT (vv. 11,12);
(2) crescer na graça, em maturidade espiritual e em Cristo sob todos os aspectos (v. 15), e ser cheio da plenitude de Cristo e de Deus (v. 13; cf. 3.19);
(3) não permanecer como criança, aceitando "todo o vento de doutrina", mas, pelo contrário, conhecer a verdade, e assim saber rejeitar falsos mestres (vv. 14,15);
(4) sustentar e falar com amor a verdade revelada nas Escrituras (v. 15); e
(5) andar em "verdadeira justiça e santidade" (v. 24; vv. 17-32). (Stamps, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD; Nota texto de Efésios 4.13,14).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Os dons ministeriais descritos pelo apóstolo Paulo em sua carta aos efésios (4.11-14) têm por finalidade o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério e a edificação do Corpo de Cristo.

II. OUTROS PARA PROFETAS" (EF 4.11a).

1. A importância do tema. Este tema deve ser visto com muito cuidado por alguns motivos: primeiro, a unção profética segundo a ordem do AT, onde pessoas era separadas por Deus com o ministério profético para aplicar a revelação da Palavra de Deus e da Lei no meio do povo, foi encerrada com João (Mt 11.13). Também o que lemos em Efésios 4, é diferente do dom de profecia listada em 1 Co 12, pois enquanto pelo uso do Espírito no dom todos podem profetizar, o ofício ministerial de profeta concedido por Cristo é dado somente para alguns do corpo, como ofício permanente. Porém, este ofício em muito difere do profeta AT: as palavras do ministério profético não têm autoridade comparável a das Escrituras, até pelo fato de sua mensagem não vir por transe ou coisa parecida, mas sim, pelo próprio uso das Escrituras já reveladas, e por isso, sua mensagem deve ser analisada, e, de uma forma geral, tais pessoas são constrangidas pelo Espírito a zelar pela santidade no meio do povo de Deus. A afirmativa de que este ministério se restringe aos primeiros tempos da era da Igreja é uma afirmação que carece de embasamento bíblico. Se Cristo asseverou contra os falsos profetas é porque na história haveriam ‘verdadeiros profetas’. Mesmo escritos que eram observados nos primeiros séculos da Igreja, porém não canônicos, como o Didaqué, traziam instruções acerca do ministério dos profetas.

2. A distinção entre apóstolo-profeta e profeta. A perícope de Ef 4.11 refere-se a pregadores irresistivelmente cheios do Espírito Santo, que cooperavam na edificação da Igreja (At 13.1). O apostolado original encerrou-se com o fim da era apostólica. O apostolado enquanto dom de Cristo continua ativo no seio da igreja do Senhor, e disto vemos o testemunho e amparo bíblico na própria igreja primitiva no Livro de Atos (Gl 1.9; 1 Ts 2.7; Rm 16.7). Hoje, o apostolado pode ser melhor visto no trabalho de missionários, embora haja denominações que unjam pessoas como apóstolos (especialmente no movimento neopentecostal), mas sem critérios específicos para o mesmo, e isso é muito preocupante. Os profetas eram homens que falavam sob o impulso direto do Espírito Santo, e cuja motivação e interesse principais eram a vida espiritual e pureza da igreja. Sob o novo concerto, foram levantados pelo Espírito Santo e revestidos pelo seu poder para trazerem uma mensagem da parte de Deus ao seu povo (At 2.17; 4.8; 21.4).

3. As principais funções do profeta. A função do profeta na igreja incluía o seguinte: (a) Proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a Palavra de Deus, por chamada divina. Sua mensagem visava admoestar, exortar, animar, consolar e edificar (At 2.14-36; 3.12-26; 1Co 12.10; 14.3). (b) Devia exercer o dom de profecia (c) Às vezes, ele era vidente (cf. 1Cr 29.29), predizendo o futuro (At 11.28; 21.10,11). (d) Era dever do profeta do NT, assim como para o do AT, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus (Lc 1.14-17). Por causa da sua mensagem de justiça, o profeta pode esperar ser rejeitado por muitos nas igrejas, em tempos de mornidão e apostasia.
A mensagem do profeta atual não deve ser considerada infalível. Ela está sujeita ao julgamento da igreja, doutros profetas e da Palavra de Deus. A congregação tem o dever de discernir e julgar o conteúdo da mensagem profética, se ela é de Deus (1Co 14.29-33; 1Jo 4.1).

SINOPSE DO TÓPICO (2)
O profeta no contexto neotestamentário possui como função primordial proclamar a revelação divina.

III. O DOM DE PROFECIA

1. A promessa do dom de profecia. Profecia não é predizer o futuro da vida de ninguém, e sim para convencer o povo do pecado e obediência a Palavra de Deus. Não é uma mensagem estudada ou escrita, como muitos pensam, mas um dom dado diretamente pelo Espírito Santo. Os coríntios exageravam a importância do dom de línguas no culto público (qualquer semelhança não é mera coincidência) e isso em detrimento dos outros dons. Ensinando àquela igreja (e a nós), Paulo procura corrigir esse abuso ao ressaltar que as línguas sem interpretação no culto público, de nada aproveitam e orienta-os a buscar o dom de profecia, o qual edifica a igreja, mais do que as línguas sem interpretação (vv. 1-4). A profecia, e as línguas com interpretação, têm igual importância na igreja. A profecia é mais útil, visto que a profecia leva à convicção do pecado e a consciência da presença de Deus (vv. 20-25). O dom de profecia na igreja é originado pelo Espírito Santo, não primeiramente para predizer o futuro, mas para fortalecer a fé do crente, sua vida espiritual e sua resolução sincera de permanecer fiel a Cristo e aos seus ensinos. Profetizar não é, porém, pregar um sermão preparado, mas transmitir palavras espontâneas sob o impulso do Espírito Santo, para a edificação do indivíduo ou da congregação.

2. Definição. Profeta é alguém escolhido por Deus para transmitir a Sua mensagem. O profeta tem uma vida em harmonia com a mensagem que revela. Ele é um instrumento nas mãos de Jesus para transmitir a mensagem divina. Deus manisfestou o dom profético na Sua igreja para que estas mensagens sejam uma luz menor para ajudar-nos na compreensão da luz maior que é a Bíblia.Salmos 119:105 A tua palavra é uma lâmpada para o meu caminho e luz para me guiar. Salmos 119:130 A explicação da tua palavra traz luz e dá sabedoria às pessoas simples.
O Profeta é o porta-voz de Deus cuja mensagem é ou admoestação ou predição. Em um sentido os primeiros profetas foram os patriarcas, desde Adão até Moisés  É em Samuel que começa o ministério profético. Entre esses profetas encontram-se Elias, Eliseu, Davi, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e outros.

·                     A quem Deus revela os seus desígnios? Amós 3:7 Por acaso o Senhor, o Deus Eterno, faz alguma coisa sem revelar aos seus servos, os profetas.
·                     Como Deus se comunica com o profeta? Números 12:6 Deus disse: Agora escutem o que vou dizer. Quando há profetas entre vocês, eu apareço a eles em visões e falo com eles em sonhos.
·                     Pode uma mulher ser profetisa? Joel 2:28 O Deus Eterno diz ao seu povo: “Depois disso eu derramarei o meu Espírito sobre todos: os seus filhos e as suas filhas anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões”.

Através do ministério profético Deus revela sua vontade para todas as pessoas. Visões e sonhos são os meios pelos quais Deus comunica a sua vontade. O profeta Joel fala de homens, mulheres, jovens que receberiam o dom profético nos últimos dias.
Apocalipse 19:10: ‘Eu me ajoelhei aos pés do anjo para adorá-lo, mas ele me disse: Não faça isso! Pois eu sou servo de Deus, assim como são vocês e os seus irmãos que continuam fiéis à verdade revelada por Jesus. Adore a Deus! Porque a mensagem que o Espírito entrega aos profetas é a verdade revelada por Jesus.’ Deus colocou profetas verdadeiros na Sua igreja com o objetivo de guiá-la em todos os momentos. Deus enviaria o dom profético para Seu povo escolhido.

3. Características. Toda profecia deve ser avaliada quanto ao seu conteúdo. Isso demonstra que a profecia nos tempos do NT não era infalível, sendo passível de correção. Às vezes, a profecia e o falar em línguas não procediam de Deus (cf. 1 Jo 4.1). Até mesmo os espíritos malignos conseguem agir na congregação através de falsos mestres ou falsos profetas aí presentes. O profetizar, o falar em línguas estranhas ou a possessão dalgum dom sobrenatural não é garantia de que alguém é um genuíno profeta ou crente, pois os dons espirituais podem ser falsificados por Satanás (Mt 24.24; 2 Ts 2.9-12; Ap 13.13,14). Se a igreja não julga com decência e ordem (v.40) as profecias, ela deixou de seguir as diretrizes bíblicas. Note, também, que a profecia não era algo como um impulso incontrolável do Espírito, pois apenas um profeta podia falar de cada vez (vv. 30-32).
Qual deve ser a atitude da igreja para com as mensagens proféticas?
(a) Todas as profecias devem ser testadas segundo o padrão da doutrina bíblica (cf. Dt 13.1-3). Isso significa que os crentes devem ficar atentos ao seu cumprimento (cf. Dt 18.22), e atentos também no caso dela não se cumprir.
(b) Se a palavra profética é uma exortação, a congregação precisa perguntar: ‘O que devemos fazer para obedecermos à vontade do Espírito?’
A profecia do tipo descrito nos caps. 12 e 14 de 1Co, não tem inerente em si a mesma autoridade ou infalibilidade que a inspirada Palavra de Deus (2 Tm 3.16). Embora provenha do impulso do Espírito Santo, esse tipo de profecia nunca poderá ser considerado inerrante. Sua mensagem sempre estará sujeita à mistura e erros humanos. Por isso a profecia da igreja nunca poderá ser equiparada com as Sagradas Escrituras. Além disso, a profecia em nossos dias não poderá ser aceita pela igreja local até que seus membros julguem o seu conteúdo, para averiguar a sua autenticidade. A base fundamental desse julgamento é a Palavra de Deus escrita.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Os escritos neotestamentários evidenciam o exercício do ministério profético pelos apóstolos.

(III. CONCLUSÃO)

Nas trevas deste mundo de pecado Deus não nos deixou às escuras; Ele nos deu a Bíblia que é a luz para os nossos caminhos, mas Deus também tem revelado Seu Plano para nós através do ministério dos profetas. Para que Deus deu os profetas? Para aperfeiçoamento, edificação e unidade (Ef 4.11-13). Para edificação, exortação (encorajar, aconselhar) e consolação (1 Co 14.3).Mas os profetas devem ter cuidado em falar somente aquilo que Deus mandou.’Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus’. (1 Pe 4.11). A mensagem do profeta deve atrair o povo para Deus e não para si mesmo ou para outra coisa qualquer.·Falar uma falsa profecia em nome do Senhor significa transgredir o 3º mandamento: ‘Não usarás o nome do Senhor em vão’ (Ex 20.7). Quando os homens buscam uma profecia somente para confirmar ou aprovar seus intentos ruins, seus ‘ídolos do coração’ (Ez 14.3), Deus falaria com eles? Devemos ter cuidados com ‘a avareza, que é idolatria’ (Cl 3.5).

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA

- Lições Bíblicas 3º Trim. Livro do Mestre, versão eletrônica, CPAD (http://www.cpad.com.br);
- Stamps, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD;
SOARES, Ezequias. O Ministério Profético na Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, 2010, p.143-162;
- Gower, Ralph, Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos, CPAD, 2002, p.131;
- HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro. 12.ed. CPAD, 2009, pp.323-324;
- Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro, CPAD, 2006, p.1610;
- RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. CPAD, 2007, pp.423,425
- LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de profecia Bíblica. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 16-7; 203

APLICAÇÃO PESSOAL

Uma das maneiras do Espírito Santo manifestar-se é através de uma variedade de dons espirituais concedidos aos crentes (12.7-11). Essas manifestações do Espírito visam à edificação e à santificação da igreja. Entendemos que as manifestações do Espírito dão-se de acordo com a vontade do Espírito (12.11), ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo do crente na busca dos dons (12.31; 14.1). Certos dons podem operar num crente de modo regular, e um crente pode receber mais de um dom para atendimento de necessidades específicas. A moral dessa lição é que devemos desejar “dons”, e não apenas um dom (12.31; 14.1). É preciso compreendermos que é antibíblico e insensato pensarmos que quem tem um dom mais visível é mais espiritual do que quem os tem de maneira mais interiorizada, ou até mesmo, quem não os recebeu. O que temos visto em nosso meio e o que a Palavra corrobora é que, quando uma pessoa possui um dom espiritual, isso não significa que Deus aprova tudo quanto ela faz ou ensina. Não se deve confundir dons do Espírito, com o fruto do Espírito, o qual se relaciona mais diretamente com o caráter e a santificação do crente (Gl 5.22,23). ‘No contexto de uma unidade mantida por tais expressões de amor como humildade, mansidão, longanimidade e tolerância, são exercidos os dons distribuídos por Cristo, e se cumprem os objetivos de Cristo em seu corpo e a favor do seu corpo (4.7-10). Surpreendentemente, estes objetivos não se cumprem nos líderes que Cristo dá à igreja, mas nos leigos. Os líderes são servos cujo papel é equipar o povo de Deus para sua 'obra do ministério'. Por meio dos esforços de todos os seus membros, o corpo de Cristo é edificado (4.11-13). E por meio da participação ativa em um corpo que cresce, e que ministra de forma constante, o crente amadurece individualmente (4.14-16). Quer os líderes tenham grandes áreas de responsabilidade (apóstolos, profetas, evangelistas) ou somente responsabilidades locais (pastores e doutores), eles são ordenados para servir os leigos’ (RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. CPAD, 2007, pp.423,425).

N’Ele, que me leva a refletir: ‘Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.’ (Rm 10.4),


EXERCÍCIOS

1. Quais os tipos de dons que o apóstolo Paulo alistou em 1 Co 12.28?
R. Apóstolos, profetas, doutores, como chamada específicas para esses ministérios.
2. De acordo com o contexto neotestamentário, o que significa “profeta” em Efésios 4.11?
R. Pregadores irresistivelmente cheios do Espírito Santo.
3. Qual a razão de Jesus ter concedido os dons ministeriais à sua igreja?
R. Para cooperarem na edificação da igreja, na dedicação ao ensino e na interpretação da Palavra de Deus.
4. Qual deve ser o cuidado de quem profetiza?
R. É uma manifestação momentânea e sobrenatural do Espírito Santo.
5. Qual deve ser o cuidado de quem profetiza?
R. Falar apenas o que o Espírito Santo mandar.

Originalmente postado em:
Francisco A Barbosa
auxilioaomestre@bol.com.br


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